O tamanho da amostra deve ser discutido antes da coleta dos dados, quando o pesquisador já consegue descrever a pergunta de pesquisa, o desfecho principal e a comparação de interesse. Esse planejamento não serve para garantir um resultado estatisticamente significativo: ele serve para que o estudo tenha precisão ou capacidade compatível com a pergunta que pretende responder.
Em muitos estudos comparativos, uma das decisões é avaliar se há evidência de diferença entre grupos. Nessa situação, o cálculo amostral costuma estar ligado a uma hipótese e a uma diferença que seria relevante detectar. Mas nem toda pesquisa tem o mesmo objetivo: estudos descritivos, de estimação, de validação ou de predição podem exigir critérios de dimensionamento diferentes.
O que precisa estar definido?
- A pergunta de pesquisa e o objetivo principal;
- O desfecho que será medido e a comparação ou estimativa de interesse;
- A diferença ou tamanho do efeito que tem importância científica, prática ou clínica;
- A variabilidade esperada dos dados;
- O delineamento, inclusive pareamento, agrupamento, medidas repetidas ou outras dependências, quando existirem;
- O nível de significância, o poder desejado ou a precisão pretendida;
- As perdas, recusas ou dados ausentes que possam ocorrer durante o estudo.
Essas escolhas mostram por que não existe um único “número ideal” para todas as pesquisas. Dois estudos com a mesma comparação podem precisar de tamanhos diferentes se tiverem variabilidade, delineamento, precisão ou proporção de perdas distintos.
Qual é o papel do tamanho do efeito?
O tamanho do efeito representa a magnitude de uma diferença, associação ou outra medida de interesse. No planejamento, é mais útil justificar qual efeito seria importante para a área de estudo do que escolher automaticamente rótulos como pequeno, médio ou grande. Esses rótulos podem ser usados em análises de sensibilidade quando não há informação melhor, mas não substituem o julgamento científico e o conhecimento prévio sobre o problema.
Por que não deixar o cálculo para depois?
Depois que os dados já foram coletados, o tamanho amostral deixa de ser uma decisão de planejamento. A interpretação deve então considerar a estimativa obtida, a incerteza e as limitações do estudo. Um resultado com p-valor maior que 0,05, por exemplo, não demonstra por si só que não exista efeito.
Conclusão
Calcular o tamanho da amostra no planejamento ajuda a alinhar a pergunta, o delineamento e a informação que o estudo poderá produzir. O cálculo deve ser documentado com seus pressupostos e revisto se o projeto mudar de forma relevante.
Se você precisa discutir o planejamento estatístico de um projeto, descreva a pergunta, o desfecho e o delineamento antes de solicitar a avaliação.
Leitura relacionada
Veja também: O que significa tamanho do efeito? e Interpretando um p-valor maior que 0,05.


4 comentários