Apresentar resultados não significa apenas preencher tabelas ou escolher um gráfico visualmente atraente. A apresentação deve ajudar o leitor a entender o que foi estimado, para quem, em comparação com o quê e com qual incerteza.
A escolha entre tabelas, gráficos e medidas-resumo depende da pergunta de pesquisa, do delineamento, do tipo de variável, da distribuição dos dados e do público que vai interpretar o resultado. Não existe uma única forma correta para todos os estudos.
Comece pela pergunta e pelo desfecho
Antes de escolher uma figura, defina qual resultado é central para o estudo. Em vez de organizar a apresentação apenas por testes estatísticos, é mais informativo mostrar a estimativa de interesse — por exemplo, uma diferença entre grupos, uma proporção, uma associação ou uma mudança ao longo do tempo — acompanhada de uma medida de incerteza quando aplicável, como intervalo de confiança.
O p-valor pode fazer parte da análise, mas não substitui a estimativa, a precisão e a interpretação do tamanho do efeito. A relevância prática ou clínica também precisa ser considerada no contexto da pesquisa.
Dados quantitativos
Para uma variável quantitativa, a média e o desvio padrão podem ser úteis quando resumem adequadamente os dados e respondem à pergunta proposta. Em outras situações, a mediana e o intervalo interquartil podem descrever melhor a posição e a dispersão. A escolha não deve ser automática: é importante considerar a distribuição, possíveis assimetrias, valores extremos, escala de medida e o objetivo da análise.
Também é recomendável verificar se o resumo não esconde informações relevantes. Quando o tamanho da amostra permitir, a apresentação de pontos individuais ou de uma distribuição pode mostrar aspectos que uma média isolada não revela. A presença de valores extremos deve ser investigada no contexto do estudo; ela não determina, por si só, a exclusão de observações.
Um boxplot pode ser útil para apresentar mediana, quartis e valores que merecem inspeção. Gráficos de pontos, histogramas ou outras formas de exibir a distribuição também podem ser adequados. Gráficos de barras com média e desvio padrão não devem ser adotados como padrão sem avaliar se eles permitem ao leitor compreender a variabilidade e os dados disponíveis.

Dados categóricos
Para variáveis categóricas, tabelas com frequências e proporções, acompanhadas do denominador, costumam ser essenciais. Gráficos de barras geralmente facilitam a comparação entre categorias. Gráficos de setores podem ser usados em situações simples, mas se tornam pouco legíveis quando há muitas categorias ou diferenças pequenas entre elas.

Relações e evolução no tempo
Quando o interesse é examinar a relação entre duas variáveis quantitativas, um gráfico de dispersão pode ser apropriado. Gráficos de linhas são particularmente úteis quando o eixo horizontal representa uma sequência ordenada, como tempo ou momentos definidos de acompanhamento. A linha não deve sugerir continuidade ou trajetória que o delineamento não permite interpretar.

Checklist antes de finalizar uma tabela ou figura
- O título deixa claro qual população, desfecho, comparação ou período está sendo apresentado?
- Unidades, denominadores, legenda e notas de rodapé são suficientes para leitura independente?
- A tabela ou gráfico mostra uma estimativa compatível com a pergunta e, quando necessário, sua incerteza?
- O tipo de gráfico representa os dados sem esconder distribuição, variação ou categorias relevantes?
- O texto interpreta o resultado sem transformar associação em causalidade ou p-valor em conclusão isolada?
Conclusão
Uma boa apresentação de resultados é parte do raciocínio científico: ela deixa visível o que foi observado, a precisão disponível e os limites da interpretação. A escolha de tabelas e gráficos deve ser guiada pela pergunta de pesquisa e pelas características dos dados, não apenas por conveniência ou hábito.
Referência para consulta
LANG, T. A.; ALTMAN, D. G. Basic Statistical Reporting for Articles Published in Biomedical Journals: the SAMPL Guidelines. EQUATOR Network. Disponível em: https://www.equator-network.org/reporting-guidelines/sampl/.




Parabéns pelo Blog, que agrega informações claras e apresenta elegância ao transmiti-las.
Desejo muito mais sucesso com trabalhos cada vez mais numerosos e potentes.
Já os recomendei para diversos colegas.
Att,
Maria Helena Ribeiro De Checchi
Docente da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC