Apresentação dos resultados de uma pesquisa

junho 8, 2023 1 Por EstatBovi

A pesquisa científica desempenha um papel fundamental no avanço do conhecimento e na compreensão dos fenômenos. O desenvolvimento de uma pesquisa científica envolve várias etapas, como planejamento, execução, análise e apresentação dos resultados, elaboração e submissão dos artigos. A etapa de análise e apresentação dos resultados são etapas fundamentais para que a comunicação das descobertas seja realizada de forma precisa e clara, a fim de que as descobertas e conclusões obtidas ganhem visibilidade e impactem a comunidade científica.

Assim, a apresentação dos resultados de uma pesquisa requer cuidado, precisão e clareza para que as informações sejam transmitidas de forma clara e coerente. Para isso é essencial que o pesquisador utilize ferramentas estatísticas e visuais apropriadas para comunicar os resultados de maneira eficaz. Os gráficos e tabelas são ferramentas essenciais nesse processo.

No entanto, uma das dúvidas mais comuns entre os pesquisadores é qual gráfico utilizar em sua pesquisa e quais medidas devem ser apresentadas em uma tabela.

Para apresentar os resultados em tabelas e gráficos, os pesquisadores devem inicialmente calcular as medidas de tendência central e de dispersão, que fornecem um resumo dos dados.

As medidas de tendência central são fundamentais para descrever o valor central de um conjunto de dados. Entre as medidas mais comuns de tendência central, destacam-se a média aritmética, a mediana e a moda.

A média é calculada pela soma de todos os valores de uma variável, dividida pelo número total de observações. Essa medida fornece uma estimativa de centralidade e é influenciada por todos os valores presentes na amostra, sendo amplamente utilizada para descrever dados quantitativos.

A mediana é o valor que separa um conjunto de dados ordenados em duas partes iguais: a metade superior, composta pelos valores maiores, e a metade inferior, composta pelos valores menores. Diferentemente da média, a mediana não é influenciada por valores extremos, o que a torna uma medida de tendência central robusta. Essa medida é amplamente utilizada em dados qualitativos ordinais, como por exemplo, variáveis com as respostas “nenhum, muito pouco, pouco, moderado e muito”. Além disso, a mediana também é útil em dados quantitativos que contenham valores discrepantes.

A moda é o valor que ocorre com maior frequência em um conjunto de dados, representando o resultado mais comum, a resposta predominante, ou seja, a resposta da maioria. Essa medida é especialmente útil para dados qualitativos nominais, como cor ou sexo.

Além das medidas de tendência central, é essencial que o pesquisador apresente nas tabelas e/ou gráficos uma medida de dispersão que forneça informações sobre a variabilidade dos resultados da pesquisa. As medidas de dispersão indicam o grau de variabilidade dos dados, fornecendo informações sobre a amplitude e a dispersão dos dados. Entre as medidas de dispersão mais comumente apresentadas nos artigos na área da saúde destacam-se a amplitude, o valor mínimo, o valor máximo e o desvio padrão.

A amplitude é definida como a diferença entre o maior e o menor valor presentes em um conjunto de dados. Embora seja uma medida simples e de fácil interpretação, a amplitude pode ser influenciada por valores extremos, o que pode distorcer a sua interpretação. Portanto, é recomendável utilizar a amplitude em conjunto com outras medidas de dispersão para obter uma análise mais abrangente da variabilidade dos dados.

O desvio padrão é uma medida que quantifica o grau de dispersão dos dados em relação à média. Quanto maior o desvio padrão, maior a dispersão dos dados em torno da média.

Essas medidas (tendência central e dispersão) são essenciais e devem ser apresentadas nas Tabelas e gráficos. A seleção do tipo de tabela e gráfico, assim como as medidas específicas de tendência central e dispersão a serem incluídas, dependem do tipo de variável e do desenho do estudo. Para variáveis quantitativas, é comum apresentar os resultados em tabelas contendo médias e desvios padrão ou em gráficos box plot, que fornecem informações sobre a mediana, quartis e possíveis valores discrepantes (Figura 1). Outra opção para esse tipo de variáveis são os gráficos de barras com as linhas dos desvios padrão (Figura 2).

Exemplos de boxplot e gráfico de barras com médias e barras de erro para quatro grupos

Já quando a variável independente estudada também é uma variável quantitativa, por exemplo, idade do paciente, o pesquisador pode apresentar os resultados usando um gráfico de linhas (Figura 3).

Gráfico de linha mostrando aumento da medida entre 5 e 13 anos, seguido de estabilização até 15 anos

Para dados qualitativos, pode-se utilizar um gráfico de setores, também conhecido popularmente como gráfico de pizza (Figura 4) ou um gráfico de barras sobrepostas (Figura 5).

Exemplos de gráfico de setores e barras empilhadas para apresentação de variáveis categóricas

Esses são os tipos de gráficos mais comuns apresentados em artigos da área da saúde.

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